Se a alegria nos dá um brilho nos olhos, a tristeza inunda-nos o pensamento.
A saudade não mata mas engorda, engorda-se a si própria, consome-nos sem descanso. Esconde o forçado sorriso por trás das lágrimas que não cessam. Lágrimas indesejadas, incontroladas.
Por mais forte que se seja, todos choram uma vez na vida, apenas de maneira diferente. Um choro embrenhado no orgulho de não ter o rosto molhado pela água salgada que corre por muitos outros rostos. Fazem do silêncio, o seu choro, o seu luto.
A felicidade e a tristeza moram ambas dentro de nós, e não se encontram tão afastadas uma da outra como gostaríamos. "A vida é feita de bons e maus momentos", mas não nos avisam que muitas das vezes, estes dois pólos tão "distantes", se podem unir num só momento. A alegria de estar, pensando na tristeza de ir. Dói, corroí, invade-nos a mente como um parasita para o qual não há remédio. É esta a justificação para as lágrimas que correm nos momentos de maior alegria. Um dia gostava de me concentrar apenas e só na felicidade. Mas se não me lembrar da tristeza que é ir, nunca saberia a felicidade de aqui estar.
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