domingo, 12 de agosto de 2012

Nós e um par de meias


Sempre ouvi dizer que estar vivo é o contrário de estar morto. E esta frase não é tão descabida como pode parecer à primeira vista. A verdade é que na vida tudo tem uma frente e um verso, um direito e um avesso. E quase sempre estes andam emparelhados. Muitos de nós pensam que ter sorte é ganhar o Euromilhões, mas a verdadeira sorte está, em encontrar-mos duas coisas, duas pessoas, do avesso, ou do direito, isto ao mesmo tempo!
Se formos a reparar bem, ao dobrar um par de meias, é raro estarem as duas do avesso ou as duas do direito. Sei que pode até ser a comparação mais ridícula que já foi feita, mas a verdade dos factos é mesmo esta. As meias são como tudo na vida. Sabemos que tem um par correspondente, uma alma gémea, mas nem sempre se encontram no mesmo ‘pé’. Nem sempre estão as duas no mesmo sítio, e às vezes é preciso dar uma ‘reviravolta’ a uma delas para que as duas se possam entender.
                O mesmo se passa com as pessoas. Ao longo da minha, curta, vida tenho-me vindo a aperceber disso mesmo. Nós somos como as meias. Muitas vezes encontramos a nossa cara-metade, mas ela nem sempre está preparada para dobrar, revirar, e ser guardada bem colada a nós, numa gaveta. Muitas das vezes uma de nós anda à deriva, esquecida na ‘máquina de lavar roupa’ ou num sítio onde é difícil ser encontrada. Mas o dia em que as duas meias se juntam, acaba por chegar, se realmente se tratarem do par correspondente.
                A vida é assim! Feita de meias sem par, do avesso e do direito. Mas quando estão as duas do direito, podem ter a certeza que não há ‘pés malcheirosos’ que as separem.
                Andamos nós feitos importantes, e afinal a linha que nos separa de um simples par de meias, é tão ténue. 

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