Desde que nascemos que nos tentam ensinar a ser felizes. A sorrir, a rir, a brincar, a andar, a falar, a conviver. Ensinam-nos o que a vida tem de melhor, ou pelo menos assim tentam. Mas quando começamos a crescer percebemos que a parte mais complicada não nos foi ensinada. Não nos ensinaram a lidar com a dor, a angustia, a mágoa, a raiva, a tristeza. Fazem-nos crescer numa bola se sabão a que chamam infância, que depois de já ir bem no alto, rebenta, graças ao nosso tamanho, e faz-nos cair rapidamente naquilo a que costumo chamar mundo Real. Não quero dizer com isto que nesse "mundo" não haja felicidade, ou alegria, mas há mais que isso. Há em grande parte das vezes o lado negro, e obscuro da nossa bola de sabão. Lado discretamente escondido durante a nossa infância.
Ao crescer apercebe-mo-nos que fomos preparados e ensinados a amar, mas não a não ser amados. Nunca ninguém nos ensinou a sofrer. A tristeza não fazia parte dos planos, e a raiva é camuflada por eufemismos. Olhando atentamente, nunca nos ensinaram o verdadeiro valor, e sentido das palavras. O verdadeiro valor dos sentimentos, o verdadeiro peso das nossas acções. Ao voltar atrás, deparo-me como aproveitei tanto e tão pouco. Como usei e abusei das palavras. Todos nos julgamos senhores da razão, até ao dia, em que saímos do nosso mundo egocêntrico, literalmente, rodeado de vidas e nos damos a conhecer a elas. Um dia, tarde ou cedo, devagar ou depressa, compreendemos quem somos e do que somos feitos. Hoje orgulho-me do que vejo em mim, do que sou, e do que faço ser, apesar de todos os defeitos e feitios. Não sou ninguém para ensinar a viver, mas sou muita gente para saber o que não é viver.
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